10.03.15

“É preciso dar mais visibilidade a essa diversidade e riqueza de cultura popular do Ceará. É um estado com tanta riqueza, não pode ser só praia”, disse Juca Ferreira. (Foto: Oliver Kornblithh/Cobertura Colaborativa)

Esse é um espaço para o diálogo entre os dirigentes do Ministério da Cultura (MinC) e as pessoas que trabalham na área cultural. Ontem, na cidade do Crato (CE), também foi realizada uma roda.

Juca aproveitou a oportunidade e convidou artistas, produtores e fazedores de cultura cearenses para participar da construção da Política Nacional das Artes (PNA). Esse projeto contribuirá para a renovação da Fundação Nacional das Artes (Funarte), que é a responsável pelas políticas de fomento para artes visuais, circo, dança, música e teatro.

A consulta pública da nova Política das Artes deve começar em duas semanas. A ideia é que os trabalhos sejam concluídos até o fim do ano. Haverá uma estrutura por meio da internet para receber sugestões de toda a sociedade.

“Vamos convocar artistas do Ceará para participar da construção de políticas de arte e renovar a Funarte, a dança, o circo, o teatro, a arte digital. Política cultural precisa abrigar demandas do Brasil todo, não pode ser só duas regiões. E um estado como Ceará não pode ficar fora”, apontou o ministro.

A Roda de Conversa foi realizada na Assembleia Legislativa do Ceará, com a presença dos secretários do Ministério da Cultura (Vinícius Wu, da Articulação Institucional, e Ivana Bentes, da Cidadania e da Diversidade Cultural); do secretário de Cultura do Ceará, Guilherme Sampaio; e do secretário-adjunto de Cultura do Ceará, Fabiano dos Santos.

O ministro também expressou a necessidade de se divulgar mais a rica cultura local. “O Brasil conhece a cultura baiana, a pernambucana, a maranhense. Mas a cearense não fica a dever a lugar algum”, destacou. “É preciso dar mais visibilidade a essa diversidade e riqueza de cultura popular enorme. É um estado com tanta riqueza, não pode ser só praia.”

Fortalecimento da cultura
Na abertura da roda, o secretário cearense Guilherme Sampaio defendeu que o momento de início do governo é favorável ao fortalecimento da cultura. “Juca, de pronto, atendeu ao convite para vir ao Ceará. Significa muito sua visita ao estado, sobretudo, ao Cariri, que significa a força, a pujança, a diversidade e o talento dos artistas do Ceará”, afirmou.

O ministro começou sua fala destacando a importância do diálogo em sua gestão e a relevância de o MinC interagir com a sociedade. Segundo ele, essa é a forma adequada para se desenvolver um conhecimento mais aprofundado das necessidades culturais de cada localidade.

“Caravana serve para criar diálogo direto, ‘papo reto’ com artistas e políticos”, resumiu o ministro. Em dois dias de visita ao Ceará, o ministro e sua equipe receberam uma carta com demandas de prefeitos e gestores culturais da região do Cariri e conversaram com representantes de Pontos de Cultura, produtores e fazedores de cultura.

Incentivos fiscais
Os participantes defenderam mudanças na Lei Rouanet, no sentido de se permitir uma distribuição mais proporcional entre os estados com projetos aprovados. Assim, poderá ocorrer uma descentralização de recursos, hoje concentrados no eixo Rio de Janeiro-São Paulo.

“O uso do dinheiro público para financiamento à cultura será definido de forma republicana, com a participação dos artistas, e não dos departamentos de marketing das empresas, que têm critérios privados”, disse.

O ministro destacou ainda que, entre as mudanças na Lei Rouanet, uma delas será a destinação de recursos ao Fundo Nacional de Cultura (FNC), a exemplo do que ocorre em outros países. “Precisamos de um modelo de financiamento sustentável. O Nordeste só recebe 7% dos recursos da Rouanet”, informou. “É preciso que governo seja protagonista nesse processo. A área cultural precisa pressionar e dialogar com parlamentares para a mudança do mecanismo de financiamento à cultura.”

Cultura digital
Os artistas e produtores do Ceará pediram mais políticas voltadas para livro, games, música, economia criativa, fomento ao folclore, estímulo ao artesanato, além de incentivos para que estados e municípios criem seus planos estaduais e municipais de cultura. Foi sugerido ainda um mapeamento de grupos literários que produzem literatura na internet ou publicações periódicas em todo o País.

Sobre cultura digital, Juca destacou que é preciso compreender de forma ampla o fenômeno dos games na vida dos jovens e assim desenvolver estratégias de investimento nesse segmento. “Os games precisam ser incorporados como parte da cultura contemporânea. Nossos filhos jogam mais videogames do que assistem TV”, defendeu.

E acrescentou: “Se quisermos ter competitividade, precisamos ter capacidade de produzir nossos próprios softwares. É preciso traçar uma estratégia, como foi feito na China, que hoje é o terceiro maior produtor. É preciso investimento para ter indústria competitiva. O Estado precisa de lucidez sobre essas novas economias”.

Outro pedido apresentado ao ministro foi a ampliação de espaços públicos para grupos de teatro iniciantes ou desconhecidos. Os produtores cearenses querem também mais espaço para a cultura nas TVs educativas, a viabilização do uso de espaços culturais por produtores da periferia e a criação do Museu do Caju, na capital Fortaleza.

Com relação aos Pontos de Cultura, os participantes pediram solução para o problema de eventuais atrasos no pagamento das parcelas de recursos. Segundo Juca Ferreira, o momento é justamente de reconstruir políticas do ministério, como a dos Pontos de Cultura, que serão fortalecidos e renovados.

O encontro foi transmitido ao vivo pelo site e redes sociais (Facebook e Twitter) do Ministério da Cultura com a hashtag #ParticipaMinC.

Fonte: Assessoria de Comunicação/Ministério da Cultura

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