Representantes da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura são recebidos pelo ministro Juca Ferreira (Fotos: capa: Oliver Kornblihtt. Acima: Ascom/MinC)

Cerca de 60 membros da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura se reuniram, na manhã desta quarta-feira, dia 29, em Brasília, com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, gestores e representantes do MinC. Na ocasião, foram apresentadas demandas do setor, como a expansão da Política Nacional Cultura Viva (PNCV) e a regulamentação da Lei Cultura Viva, sancionada em 2014 pela presidenta Dilma Rousseff.

Durante o encontro, o ministro Juca Ferreira enfatizou o fato de essa Lei ter instituído uma política nacional para a cultura e defendeu que o papel do Estado é o de apoiar e fomentar o desenvolvimento dessa política. De acordo com Juca, o apoio governamental não tirou o protagonismo dos Pontos de Cultura.

“O programa não pode perder a autonomia, nem acenar para a perda de protagonismo da sociedade. É um erro transferir a dinâmica que vocês representam em seus territórios para o Estado. Se não, em vez de fortalecer, vamos enfraquecer”, argumentou. “Vocês são representantes da complexidade cultural que o Brasil é”, completou.

Além disso, Juca Ferreira salientou o atual cenário econômico brasileiro e o avanço de movimentos reacionários, que ameaçam a perenidade da conquista de direitos já adquiridos, inclusive culturais. Nesse contexto, enfatizou a importância da atuação dos Pontos de Cultura para garantir avanços e contribuir no processo de democratização.

“É preciso ver o Cultura Viva como o movimento de democratização mais importante desse país. Isso aqui é uma aliança, é a busca do empoderamento de vocês. Se estivéssemos mais próximos e mobilizados, essa onda conservadora e reacionária não teria crescido. Precisamos recuperar a nossa capacidade de mobilização. Temos que propor uma dinâmica e um diálogo de fortalecimento mútuo, parte dessa responsabilidade é de vocês”, disse.

Outro ponto levantado pelo ministro foi o acesso à cultura. “Só 5% dos brasileiros entram em museus e apenas 13% vão com alguma frequência ao cinema. Somo todos deficientes culturais”, lamentou. “O Estado tem obrigação de disponibilizar o acesso e informações e isso é pobre no Brasil”, acrescentou.

Próximos passos
Sobre a expansão da PNCV, a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural, Ivana Bentes, explicou que a autodeclaração dos Pontos de Cultura será “decisiva para mapear a extensão desses fazedores de cultura”. “A autodeclaração é o grande passo para mapear o potencial e força que são os Pontos de Cultura no Brasil. É um instrumento político, uma moeda simbólica de negociação e um instrumento para apresentar a grandiosidade do sistema”, afirmou. A plataforma para realizar a autodeclaração está prevista para ser lançada em 2 de outubro.

Outro ponto destacado pela secretária é a necessidade de desenhar a economia dos Pontos de Cultura. “Temos que pensar como podemos entrar, por exemplo, no Ministério do Planejamento, na disputa de recursos e de visibilidade na economia da cultura”, conta. Além da secretária e do ministro, participaram da reunião o diretor da Cidadania e da Diversidade Cultural, Alexandre Santini; o secretário de políticas culturais, Guilherme Varella; o secretário de articulação institucional, Vinícius Wu.

Leandro Artur Anton, representante da rede Rio Grande do Sul dos Pontos de Cultura, explica que a vinda da comissão a Brasília representa o primeiro encontro da Comissão Nacional com o ministro Juca Ferreira. “Este é um primeiro momento de pactuação entre a comissão e o ministério para os próximos anos. Vimos no encontro a centralidade que tem a Cultura Viva dentro do MinC”, disse.

A Comissão Nacional dos Pontos de Cultura seguiu para Alto Paraíso (GO), onde participará da 15ª edição do Encontro de Culturas Tradicionais, que ocorre até domingo (1/08).

Texto: Cecilia Coelho
Fonte: Assessoria de Comunicação/Ministério da Cultura

Categorias: Notícias
Tags:

Postado por em | 0 comentários